Atraso de linguagem / perturbação do desenvolvimento da linguagem
Quando a criança ainda não fala
É uma das razões que mais traz famílias até mim. A criança fala menos do que as outras da mesma idade, ou ainda não começou — e em casa já ninguém sabe se deve esperar mais um pouco ou procurar ajuda.
Intervenho nesta situação: Até aos 7 anos
O que os pais costumam notar
- Diz menos palavras do que outras crianças da mesma idade.
- Não junta palavras para formar frases.
- Parece compreender tudo, mas fala pouco ou nada.
- Aponta, puxa pela mão ou faz gestos em vez de pedir por palavras.
- Frustra-se ou faz birra quando não consegue explicar-se.
- Na creche ou no jardim de infância, sugeriram que fosse observada.
Nenhuma destas observações é, por si só, um diagnóstico. São motivos suficientes para perguntar — é para isso que serve o rastreio.
O que é um atraso de linguagem
Fala-se em atraso de linguagem quando o desenvolvimento da linguagem de uma criança está aquém do esperado para a sua idade, sem que isso se explique por outra condição já identificada. Pode afetar a expressão — o que a criança diz —, a compreensão — o que entende do que lhe dizem — ou as duas.
Há alguns sinais que vale a pena observar, por idade: não balbuciar aos 12 meses; não dizer palavras aos 18 meses; não juntar duas palavras aos 2 anos; e ser difícil de compreender por quem não é da família aos 3 anos. Nenhum destes sinais é, por si só, um diagnóstico — e cada criança tem o seu ritmo. Mas são motivos suficientes para perguntar, e quanto mais cedo se percebe o que se passa, mais cedo se pode começar a trabalhar.
Cada criança tem o seu ritmo, e nem toda a criança que fala tarde tem um problema. Mas a diferença entre um ritmo próprio e um atraso que beneficia de intervenção não se decide à vista nem por comparação com primos e vizinhos: decide-se com uma avaliação.
É também importante distinguir o atraso de linguagem de outras situações que podem parecer-se com ele à primeira vista, como dificuldades de audição ou alterações do desenvolvimento mais amplas. Parte do trabalho da avaliação é precisamente perceber o que está por trás — e, se for caso disso, encaminhar.
Como trabalho esta situação
Começo por perceber o que a criança já faz: quantas palavras usa, se compreende pedidos, como comunica quando não tem a palavra, e em que situações comunica mais. Essa observação faz-se a brincar, não em teste.
A intervenção constrói-se a partir dos interesses da criança. Com crianças pequenas, o trabalho passa muito por criar situações em que vale a pena comunicar — e por dar à família as ferramentas para multiplicar essas situações ao longo do dia.
É por isso que trabalho em casa, sempre que posso. Os brinquedos, os livros, a hora do banho e a hora da refeição são o material real com que a linguagem se constrói. Numa sala de consulta, isso tem de ser simulado.
Os pais entram no processo desde a primeira consulta e levam estratégias concretas para usar em casa. Quando a criança já frequenta creche ou jardim de infância, articulo também com os educadores.
Situações próximas
Por vezes confundem-se, e por vezes aparecem juntas.
- A criança troca sons quando fala"troca as letras", "não diz o r"
- Quando a criança gagueja"começou a gaguejar" · "gagueira"
A conversa inicial é gratuita
O que acontece nesses primeiros minutos
É uma conversa ao telefone, de 15 a 20 minutos, sem custo e sem compromisso. Serve para eu ouvir o que a família tem observado e perceber se faz sentido avançar para observar a criança — e para a família perceber como é que eu trabalho.
O que fazemos
- Conta-me o que tem observado em casa e na escola.
- Pergunto o que precisar para perceber o caso.
- Digo-lhe com franqueza se faz sentido avançar para observar a criança.
- Se for, explico os passos seguintes e o que custam.
O que não é
- Não é um rastreio.
- Não é uma avaliação.
- Não é um diagnóstico.
- Não fica obrigado a nada a seguir.
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