Gaguez (disfluência)
Quando a criança gagueja
A fala da criança parece "tropeçar": repete, prolonga, fica presa. Os pais ficam sem saber se é uma fase, se devem chamar a atenção ou não dizer nada — e a maior parte hesita antes de pedir ajuda, com receio de fazer pior.
Intervenho nesta situação: Todas as idades
O que os pais costumam notar
- Repete sons, sílabas ou palavras ("ca-ca-carro", "eu eu eu quero").
- Prolonga sons ("sssssapato").
- Fica bloqueada, com a boca em posição de falar mas sem o som sair.
- Faz movimentos ou caretas, ou aperta a cara ou o corpo enquanto tenta falar.
- Evita certas palavras, substitui-as ou deixa de falar em certas situações.
- Fica frustrada, envergonhada ou calada depois de gaguejar.
- A fala varia muito: há dias ou situações melhores e piores.
Nenhuma destas observações é, por si só, um diagnóstico. São motivos suficientes para perguntar — é para isso que serve o rastreio.
O que é a gaguez — e o que ela não é
A gaguez é uma alteração do fluxo da fala: as repetições, prolongamentos e bloqueios surgem em momentos em que a criança sabe o que quer dizer, mas a fala não sai com fluidez. Varia de pessoa para pessoa e de momento para momento, o que é uma das razões pelas quais confunde tanto quem a observa.
Muitas crianças pequenas passam por períodos de repetições enquanto a linguagem se desenvolve. Nem toda a criança que repete palavras tem gaguez, e distinguir uma coisa da outra não se faz à vista desarmada. Faz-se com uma avaliação que olha para o tipo de repetições, para a tensão, para a história e para a forma como a criança reage.
A gaguez não é um problema de inteligência, nem uma questão de nervos, nem culpa de quem educa. Os pais não a causaram, e dizer à criança para "respirar fundo" ou "falar devagar" raramente ajuda. Pode, no entanto, ter um peso emocional: a criança percebe que fala de forma diferente e pode começar a evitar falar.
Por isso a avaliação olha para dois lados: a fala em si e o que a criança sente em relação a ela.
Como trabalho esta situação
Começo por conversar com a família sobre quando a gaguez surgiu, como varia e como a criança reage. Depois, observo a criança a falar em situações diferentes: a brincar, a contar algo, a responder. A avaliação diz-me o que se passa e, com isso, o que faz sentido fazer.
Com crianças mais pequenas, o trabalho passa muito pelos pais: aprendem a conversar de forma que torne a comunicação mais fácil e menos pressionada, e eu acompanho esse processo. Com crianças mais velhas e adultos, trabalho diretamente a fala e a relação com ela, incluindo o medo de falar.
Não prometo um resultado, e quem o promete não está a ser honesto. O percurso é diferente de pessoa para pessoa, e o que a avaliação me permite é perceber o que se pode esperar no caso concreto e ajustar ao longo do tempo.
As sessões duram entre 45 e 60 minutos. Faço-as em casa ou na escola, nos concelhos de Almada e Seixal, ou online. Quando faz sentido, articulo com a escola, por reunião ou por telefone, para que os professores saibam como apoiar a criança na sala de aula. A família recebe relatório escrito.
Situações próximas
Por vezes confundem-se, e por vezes aparecem juntas.
- Quando a criança ainda não fala"o meu filho de 3 anos não fala" · "atraso de fala"
- A criança troca sons quando fala"troca as letras", "não diz o r"
A conversa inicial é gratuita
O que acontece nesses primeiros minutos
É uma conversa ao telefone, de 15 a 20 minutos, sem custo e sem compromisso. Serve para eu ouvir o que a família tem observado e perceber se faz sentido avançar para observar a criança — e para a família perceber como é que eu trabalho.
O que fazemos
- Conta-me o que tem observado em casa e na escola.
- Pergunto o que precisar para perceber o caso.
- Digo-lhe com franqueza se faz sentido avançar para observar a criança.
- Se for, explico os passos seguintes e o que custam.
O que não é
- Não é um rastreio.
- Não é uma avaliação.
- Não é um diagnóstico.
- Não fica obrigado a nada a seguir.
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