Dislalia / perturbação dos sons da fala
A criança troca sons quando fala
A família percebe tudo o que a criança diz. Já o professor, o treinador ou a avó que a vê pouco pedem muitas vezes que repita. É um sinal frequente de que alguns sons ainda não estão a sair como se espera.
Intervenho nesta situação: Todas as idades
O que os pais costumam notar
- Diz "tato" quando quer dizer "carro", ou "baca" em vez de "braço".
- Não diz certos sons, como o r ou o s, ou troca-os por outros.
- Omite sons ou sílabas no meio e no fim das palavras.
- As pessoas fora da família pedem-lhe muitas vezes que repita.
- A criança repara que não a percebem e fica irritada ou desiste de falar.
- Fala de forma diferente dos colegas da mesma idade.
- Na escola, sugeriram que fosse observada.
Nenhuma destas observações é, por si só, um diagnóstico. São motivos suficientes para perguntar — é para isso que serve o rastreio.
O que são as trocas de sons — e o que não são
Aprender a pronunciar os sons da língua é um processo gradual, e os sons não surgem todos ao mesmo tempo. É normal que uma criança pequena troque ou simplifique alguns deles. O que importa observar é se o padrão é o esperado para a idade e se a criança é compreendida pelos outros.
Quando as trocas se mantêm para lá do que seria de esperar, ou quando tornam a fala difícil de perceber, fala-se em alteração dos sons da fala. Pode tratar-se de um som isolado, como o r, ou de vários sons que se trocam de forma sistemática.
Esta situação é diferente das trocas de letras que aparecem a escrever, que têm outras causas e outro trabalho. E é diferente de um atraso na linguagem, em que o que está em causa é sobretudo o que a criança diz e entende. Só a avaliação permite perceber qual é o caso, e por vezes há mais do que um em simultâneo.
Outras situações podem estar na origem de trocas de sons, como dificuldades de audição ou particularidades na forma de mexer a boca e a língua. Faz parte da avaliação perceber isso e, se for caso disso, sugerir que seja visto por outro profissional.
Como trabalho esta situação
Começo por ouvir a criança falar em situações diferentes: a nomear imagens, a contar uma história, a conversar. Registo que sons estão a sair, quais estão trocados e se o padrão é consistente. A seguir, observo como mexe a boca, os lábios e a língua.
O trabalho que se segue depende do que a avaliação mostra. Vai do reconhecimento dos sons, de ouvir a diferença entre o som certo e o trocado, até à produção do som em sílabas, palavras, frases e conversa. Faz-se a jogar, com material escolhido para aquela criança, e não por repetição seca.
Os pais participam desde a primeira consulta. Explico o que estamos a trabalhar e o que podem fazer em casa, de forma simples e curta, para não pesar na rotina da família. Sempre que posso, trabalho em casa ou na escola, onde a criança fala de verdade.
As sessões duram entre 45 e 60 minutos, semanais ou duas vezes por semana, consoante o que a criança precisa. Não é possível dizer à partida quanto tempo vai demorar: depende de cada criança. A avaliação ajuda a perceber o que se pode esperar, e vou ajustando à medida que a observo.
Com a escola articulo por reunião ou por telefone, e a família recebe um relatório escrito do que foi observado e do que está a ser trabalhado.
Situações próximas
Por vezes confundem-se, e por vezes aparecem juntas.
- Quando a criança ainda não fala"o meu filho de 3 anos não fala" · "atraso de fala"
- Quando a criança gagueja"começou a gaguejar" · "gagueira"
A conversa inicial é gratuita
O que acontece nesses primeiros minutos
É uma conversa ao telefone, de 15 a 20 minutos, sem custo e sem compromisso. Serve para eu ouvir o que a família tem observado e perceber se faz sentido avançar para observar a criança — e para a família perceber como é que eu trabalho.
O que fazemos
- Conta-me o que tem observado em casa e na escola.
- Pergunto o que precisar para perceber o caso.
- Digo-lhe com franqueza se faz sentido avançar para observar a criança.
- Se for, explico os passos seguintes e o que custam.
O que não é
- Não é um rastreio.
- Não é uma avaliação.
- Não é um diagnóstico.
- Não fica obrigado a nada a seguir.
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